Os diretores do Centro Latino-Americano de Física (CLAF) são eleitos pelo Conselho Diretor a cada quatro anos e têm como missão executar o plano de trabalho aprovado bianualmente pela Assembleia Geral do CLAF.
O Conselho Diretor, em sua 44ª sessão ordinária, realizada em 21 de novembro de 2024, em Lima (Peru), elegeu o físico experimental brasileiro Ulisses Barres de Almeida como seu 9º diretor.
Em ordem cronológica, os diretores anteriores do CLAF foram:
Gabriel Emiliano de Almeida Fialho (Brasil, 1920-1986) — Diretor entre 1962 e 1968
Oficial da Marinha de Guerra do Brasil, Fialho era doutor em física teórica pela Universidade de Colúmbia (EUA), desenvolvendo pesquisa na área de física das partículas elementares. Foi o primeiro diretor do CLAF, servindo nessa posição desde a fundação da instituição, em 26 de março de 1962.

Roberto Bastos da Costa (Brasil, 1925-2008) — Diretor entre 1969 a 1985
Graduado em química pela antiga Universidade do Brasil, ingressou no CLAF ainda em 1963, como chefe do Departamento de Formação de Pessoal. Em 1966, representou o Brasil na Conferência Geral da Unesco e criou o boletim Noticia del CLAF, que pretendia divulgar as atividades da instituição. Foi eleito membro da Sociedade Colombiana de Física e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
Entre 1969 e 1985, foi diretor do CLAF, tendo deixado contribuições inestimáveis tanto para o desenvolvimento da física e ciências correlatas quanto para o intercâmbio entre universidades e departamentos de física de diversos países latino-americanos.
Bastos sempre enfatizava que, com base no acordo da Unesco de 1964, intitulado Lagos Plan of Action for Science and Technology Training and Research Institutions, cada país deveria investir, pelo menos, 1% de seu PIB em ciência, bem como ter cerca de 200 doutores em física para cada milhão de habitantes.

Juan José Giambiagi (Argentina, 1924-1996) — Diretor entre 1986 a 1993
Bacharel e doutor (1950) em física pela Universidade de Buenos Aires. Depois de concluir, em 1953, pós-doutorado com o físico belga Léon Rosenfeld (1904-1974), na Universidade de Manchester (Reino Unido), foi trabalhar, a convite de José Leite Lopes (1918-2006), no então recém-fundado Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ), onde desenvolveu trabalhos de impacto internacional, em colaboração com os brasileiros Jayme Tiomno (1920-2011) e Samuel Wallace MacDowell (1929-2020). Em 1959, foi um dos fundadores da Escola Latino-Americana de Física, com Leite Lopes e o físico mexicano Marcos Moshinsky (1921-2009).
No CLAF, Giambiagi impulsionou o desenvolvimento de ações de interesse econômico, para as quais os físicos poderiam dar contribuições significativas, como estudos sobre a corrente marinha El Niño, a física do clima, a Antártica e a busca de poços de petróleo.
Estava convencido de que não seria possível fortalecer a ciência dos países latino-americanos se não fosse estabelecida demanda local por conhecimento científico especializado.

Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho (Brasil, 1951- ) — Diretor entre 1994 a 1998
Bacharel e mestre em física pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Doutor em física pela Universidade de Princeton (EUA), com passagens como pesquisador no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), na Suíça, e como professor na Universidade Paris XI, em Orsay.
No Brasil, foi professor da PUC-Rio, entre 1983 e 1992, onde dirigiu o Departamento de Física. De 1994 a 2016, foi professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sua área de pesquisa se concentrou em teoria quântica de campos e suas aplicações em física de partículas, física estatística e física da matéria condensada.
Entre 1994 e 1998, exerceu mandato de diretor do CLAF, período em que estendeu o programa de bolsas do centro a todas as instituições brasileiras, para além do CBPF. Apoiou vários eventos científicos e estimulou intercâmbios científicos.
Depois de sua passagem pelo CLAF, foi presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre 2010 e 2011; diretor geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), entre 2011 e 2014; diretor de inovação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), de 2014 a 2016; e consultor científico da Agência Naval de Segurança Nuclear, de 2017 a 2023.
É membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e Academia Mundial de Ciências (TWAS). Desde 2023, ocupa o cargo de diretor de desenvolvimento científico e tecnológico da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil – cargo que já havia ocupado anteriormente, entre 2005 e 2007.

Luis Másperi (Argentina, 1941-2003) — Diretor entre 1998 a 2003
Nasceu na Itália e chegou ainda criança à Argentina, onde estudou e se formou em engenharia química. Mais tarde, radicou-se em Bariloche, ao ingressar no Instituto Balseiro do Centro Atômico, obtendo lá seu doutorado em física.
No final de 1982, com Francisco De Haro, Matilde Hermann e Susana Rosatti, entre outros, organizou a seção local da Assembleia Permanente para os Direitos Humanos (APDH), entidade da qual foi grande promotor por anos.
Dono de notável serenidade, caracterizava-se por ter opinião comedida e respeitosa em todos os âmbitos, sendo grande defensor da democracia. Como cientista, Másperi teve destacada projeção nacional e internacional, ministrando palestras em diversos países. Foi professor do Instituto Balseiro por mais de três décadas e atuante promotor dos direitos humanos e dos princípios do pacifismo.

Feliciano Sánchez Sinencio (México, 1938- ) — Diretor entre 2004 a 2012
Mestre em física pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, em 1966 – como bolsista do CLAF – e doutor pela Universidade de São Paulo, em 1969. No México, antes de se tornar pesquisador do Centro de Pesquisa e Estudos Avançados (Cinvestav) – do qual foi diretor geral –, lecionou na Universidade Hebraica de Jerusalém e Universidade de Princeton (EUA). Foi presidente da Sociedade Mexicana para a Divulgação da Ciência e Técnica (Somedicyt) e membro do Conselho Consultivo de Ciências da Presidência dos Estados Unidos Mexicanos.
Suas contribuições científicas incluem a descoberta do telureto de cádmio (CdTe) amorfo oxigenado como novo semicondutor isolante, bem como de outros materiais semicondutores, como ternários baseados em CdTe.
É reconhecido como pioneiro no estudo do transporte eletrônico em cristais de enxofre e materiais semicondutores policristalinos, bem como na aplicação da espectroscopia de deflexão fototérmica ao estudo de semicondutores. Dedicou-se também ao estudo da nixtamalização da farinha de milho, tema em que trabalhou para entender as propriedades mecânicas, térmicas e nutricionais desse processo, para melhorá-lo.
Como diretor do CLAF, conduziu importante avaliação externa das atividades da instituição, por meio de um painel de pesquisadores internacionais.

Carlos Trallero Giner (Cuba, 1947- ) — Diretor entre 2012 a 2020
Mestre em física pela Universidade de Havana (Cuba) e doutor em ciências físicas e matemáticas pelo Instituto Ioffe (Rússia). Ao longo de sua carreira, colaborou com diversos projetos de pesquisa na América Latina, na Europa, nos EUA e na Ásia. À frente do CLAF, Trallero trabalhou para melhorar a qualidade das atividades de desenvolvimento em apoio à ciência, tecnologia e educação realizadas pela instituição.
Entre as propostas de trabalho conduzidas, merecem destaque: i) atuação pelo desenvolvimento de programas de mestrado e doutorado nos países membros em que a pós-graduação era ou ausente, ou incipiente; ii) melhoria dos programas de mobilidade para os bolsistas da região; iii) aprofundamento do intercâmbio entre o CLAF e as Sociedades de Física da América Latina, para a implementação de políticas científicas conjuntas.
Também buscou mecanismos para melhorar a interação da física com os setores produtivo e industrial na região.

Luis Huerta Torchio (Chile, 1956- ) — Diretor entre 2020 a 2024
Físico teórico, com doutorado pela Pontifícia Universidade Católica do Chile, foi pesquisador de pós-doutorado no Centro de Estudos Científicos (Chile) e fez pesquisas no Centro Internacional de Física Teórica (ICTP), em Trieste (Itália). Foi pesquisador na Universidade de Talca (Chile), onde criou e dirigiu programa de doutorado em ciências aplicadas, tendo posteriormente servido como vice-reitor acadêmico da instituição.
Atuou como consultor para o Ministério da Educação e a Fundação Chile. Foi um dos fundadores do Museu Interativo Mirador, do qual atuou como diretor científico – a divulgação e educação científicas foram um dos principais interesses ao longo de sua carreira.
Seus temas de pesquisa abrangem diversas áreas da física, desde a óptica quântica até a física de altas energias. Em maio de 2023, foi nomeado diretor executivo da Comissão Chilena de Energia Nuclear (CCHEN), cargo que exerceu até o fim de 2025.
