Pesquisadores russos e americanos obtiveram pela primeira vez átomos do elemento químico de número 117. O novo elemento preenche a lacuna que se formou na tabela periódica desde a criação do elemento 118, há oito anos, já que os elementos de número atômico até 116 já haviam sido descobertos. Os resultados foram anunciados em artigo da Physical Review Letters na última sexta-feira.
O novo elemento químico preenche a lacuna entre os elementos 116 e 118 na tabela periódica (Imagem: Yerpo/Wikimedia Commons).
Físicos do Joint Institute for Nuclear Research (Rússia) obtiveram isótopos do novo elemento a partir da fusão de íons de cálcio (Z = 20) com o elemento berkelium (Z = 97). Seu nome provisório é "ununseptium," o nome latino para 117. Segundo os pesquisadores, o feito reforça a hipótese da existência da chamada ‘ilha de estabilidade’ um grupo de núcleos superpesados que seriam mais estáveis que muitos átomos que existem na natureza.
Os elementos químicos de configuração mais estável são os naturais: do hidrogênio (Z=1) ao urânio (Z=92). No fim da década de 60, cientistas propuseram a teoria de que a estabilidade pode aparecer em elementos mais pesados. “Para checar essa hipótese, foi necessário produzir núcleos superpesados e determinar suas propriedades, como a meia-vida e o modo de desintegração”, diz ao CLAF o físico Yuri Oganessian, autor principal do artigo. “Com os isótopos dos elementos 110 ao 113, nós observamos um aumento da estabilidade em 10 milhões de vezes. Isso nos permitiu obter elementos mais pesados, com os números atômicos 114. 115, 116, 118 e agora o 117’, explica.