Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) publicou, no dia 8 de janeiro, em seu canal no YouTube, um vídeo que conta a participação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) na construção do Observatório de Raios Gama Southern Wide-Field Gamma-ray Observatory (SWGO), a ser instalado em Pampa La Bola, no Deserto do Atacama, Chile.
Ulisses Barres de Almeida, Diretor do CLAF, e um dos responsáveis pelo projeto, destaca que com esse projeto, o Brasil, que sempre foi um país pioneiro no estudo da astronomia, se torna um dos líderes mundiais da área.
“A construção do primeiro observatório de raios gama de muito alta energia do Hemisfério Sul é uma grande colaboração internacional de 16 países, o que mostra a importância e a relevância dessa área de pesquisa no mundo. E o Brasil é um dos três países líderes do SWGO, com Estados Unidos e Alemanha”.
O projeto remete ao pioneirismo do físico Cesar Lattes, que foi fundamental para criação do CBPF em 1949, mas também para estruturação do que hoje conhecemos como instituições de ciência e tecnologia no Brasil. Para Márcio Portes de albuquerque, diretor do CBPF “Ele resgata o conceito de cooperação regional, porque se insere nas cooperações científicas internacionais, mas é um observatório na América Latina”.
Por meio da atuação do Brasil e Chile no projeto, a América Latina participa desta importante colaboração internacional numa posição de protagonismo. Isso vai nos permitir uma colaboração mais estreita com nossos vizinhos sul-americanos, mudando um pouco o centro de gravidade [científico] do projeto (e da área) do hemisfério norte para o sul.
A expectativa é que o observatório funcione para pesquisar os fenômenos mais intensos do universo, além de estudar a matéria escura, que corresponde a 85% da matéria do universo mas cuja natureza ainda é desconhecida.
O SWGO será composto por uma rede de 4 mil tanques Cherenkov espalhados por uma grande área de 1 km2, a uma altitude de quase 5 mil metros, nos Andes. Para a produção dos tanques, o projeto contou com o apoio de uma empresa brasileira, que teve como missão adaptá-los às demandas e necessidades do projeto astronômico. A demanda científica promoveu o desenvolvimento de novas tecnologias que já estão sendo empregadas no agronegócio e demonstrando o potencial de cooperação entre ciência, tecnologia e inovação, entre academia e indústria, trabalhando na fronteira do conhecimento.
Veja o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=sdmrJ9bZZ28
Saiba mais sobre o projeto: https://www.swgo.org/SWGOWiki/doku.php
Saiba mais sobre o apoio do CLAF ao projeto : https://claffisica.org.br/page/claf-and-mcti-high-level-seminar