A criação de um Centro Latino-Americano de Física foi proposta pela República Federativa do Brasil, por meio da resolução 11C/DR/29, aprovada pela XI Conferência Geral da UNESCO, em 14 de novembro de 1960. O CLAF foi formalmente constituído como uma organização inter-governamental, sob os auspícios da UNESCO, em 26 de março de 1962, com a assinatura de 15 Estados Membros, aos quais depois se juntou a Argentina, em 1964.
O CLAF foi criado com sede no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), tendo como principal função o apoio à “realização de pesquisas científicas em Física, e à formação de recursos humanos para este fim na América Latina.” Segundo o acordo de sede, o CBPF é responsável por facilitar ao CLAF todo o seu pessoal científico, técnico e administrativo, bem como as instalações e laboratórios necessários para o seu funcionamento. As relações entre o CLAF e o Governo Brasileiro ficaram definidas no seu formato atual por meio do Decreto Presidencial N.º 362 de 10 de Dezembro de 1991.
As relações institucionais entre CLAF e UNESCO, previstas nos estatutos de criação do Centro, foram formalizadas em 23 de março de 1967, quando as duas organizações assinaram um acordo de quadro (cf. Resolução 76/EX19 do Conselho Executivo da UNESCO) definindo e regulamentando a estreita colaboração entre elas, e garantindo ao CLAF assento como observador às Conferências Gerais da UNESCO. A UNESCO realizou quatro avaliações periódicas do CLAF, a primeira em 1971, conhecida como Missão Kastler, e depois em 1978, 1984 e 2000.
A estrutura organizacional do CLAF compreende dois órgãos administrativos: a Assembléia Geral e o Conselho Diretor, este último responsável por eleger o Diretor, responsável pela administração geral do Centro. A Assembléia Geral (AG) é o órgão máximo do Centro e se reúne a cada dois anos. Ela é composta pelos representantes dos governos dos Estados Membros do CLAF, cada qual com direito a um voto, além de um representante da UNESCO, sem direito a voto.
O Conselho Diretor (CD), eleito pela AG, é constituído por dez membros, qualificados em ciência físicas, e de diferentes nacionalidades, sendo três escolhidos pela AG entre o México, América Central e o Caribe; três entre Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela e quatro entre Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Cada conselheiro tem um suplente. O CD se reúne anualmente para analisar e elaborar o programa e o orçamento do Centro e, a cada dois anos, os apresenta à AG para aprovação formal. Cabe ao CD eleger o Diretor do CLAF, que tem mandato de quatro anos, sem limite de renovação. Integram ainda o Conselho Diretor um observador representando a UNESCO, e outro representando o CBPF.
Os Diretores do CLAF, até o momento, sempre foram físicos, apesar deste fato não ser uma necessidade estatutária, e seu pessoal administrativo é inteiramente cedido ao CLAF pelo CBPF. Os Diretores do CLAF foram: Gabriel E. A. Fialho (Brasil, de 1962 a 1968), Roberto Bastos da Costa (Brasil, de 1969 a 1985), Juan José Giambiagi (Argentina, de 1986 a 1993), Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho (Brasil, de 1994 a 1998), Luis Másperi (Argentina, de 1998 a 2003), Feliciano Sanchez Sinêncio (México, de 2004 a 2012), Carlos Luis Trallero-Giner (Cuba, de 2012 a 2020) e Luis Huerta Torchio (Chile, de 2020 a 2024).
O 9º Diretor do Centro, eleito na 44a Sessão do Conselho Diretor, CD-44, que se realizou em Lima, em 21 de Novembro de 2024, é o físico brasileiro Ulisses Barres de Almeida, pesquisador titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, com mandato de quatro anos vigente a partir de 1º de Março de 2025.
Acesse aqui o folheto divulgativo para maiores informações sobre o CLAF.
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Ulisses Barres de Almeida (2025 - )
Eleito diretor do CLAF em 2024, Ulisses Barres tem como visão posicionar o CLAF no centro dos desafios para o desenvolvimento da física latino-americana no século XXI.
Com este espírito, o diretor está promovendo vários projetos para o desenvolvimento da pesquisa em física, através de novas iniciativas de cooperação com instituições latino-americanas e internacionais, bem como de ações que promovam a educação em física, como o retorno da "Escola Latino-Americana de Física", mantendo um olhar de atenção especial à inserção de mulheres na física, e com foco nos países menos desenvolvidos da região. Outra prioridade é fortalecer o papel do CLAF como um instrumento de política e diplomacia científicas, para a promoção do desenvolvimento regional por meio da integração e de ações de cooperação em temas estratégicos.
Bacharel em Física pela Universidade de São Paulo, Ulisses Barres doutorou-se pela Universidade de Durham, na Inglaterra, tendo trabalhado como pesquisador assistente no Instituto Max-Planck de Física de Munique (Alemanha). Pesquisador ativo na área de Astrofísica de Partículas, desenvolveu sua carreira científica no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), onde é Pesquisador Titular, tendo contribuído de maneira pioneira para o desenvolvimento da Astronomia de Raios-Gama no Brasil.
Como spokesperson sul-americano da Colaboração SWGO, está fortemente envolvido na construção deste que será um dos principais observatórios astronômicos de raios-gama do mundo, instalado nos Andes. Contribuiu ativamente também para a participação brasileira no Cherenkov Telescope Array Observatory (CTAO), servindo como delegado brasileiro no Conselho do CTAO ERIC.
Ulisses Barres está comprometido em re-posicionar o CLAF como uma das principais plataformas para a cooperação em física na América Latina, com ações efetivas de integração e cooperação regionais, e como um agente para o desenvolvimento da física, em colaboração com os governos e os principais atores institucionais da região, para o benefício de todos.

Ulisses Barres de Almeida
Pesquisador Titular
Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF)
Tel.: +55 (21) 2141-7267
ulisses@cbpf.br
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